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Beau Mirchoff (em off): Anteriormente em “Descobrindo”... Moisés: Há exatos três anos, você matou um garoto inocente e destruiu uma
família por conta dessa tragédia... Três anos que eu venho convivendo
com essa perda, apenas buscando uma forma dessa dor ir embora... (pausa e
engole a seco) Bom, acredito que não preciso dizer qual solução
encontrei... ___________________________________________
Nicole (interrompendo): Eu demorei tanto tempo para aceitar o Gabriel como irmão... (chora
alto) Não posso perdê-lo... (lábios tremidos) Ele é meu porto
seguro... O amo muito e não sei o que farei sem ele. ___________________________________________
Pri: Eu estava indo dizer
que ele era o meu escolhido, que o amava e queria estar com ele naquele
momento... Felipe apenas a observa
com o mesmo olhar de antes. Pri (com os olhos
lacrimejando): Agora corro o risco de nunca poder dizer... ___________________________________________
Moisés: Mas realmente vocês têm
razão numa coisa... (levanta a cabeça e aponta a arma para Jorge) Te
matar, não fará com que pague por todo sofrimento que me causou... Jorge franze a testa de
leve, sem entender. A câmera muda para o ponto de vista de Moisés, focando
apenas a arma em sua mão, apontada para Jorge. Devagar, a mão se movimenta na
direção de Gabriel, que apenas o encara. Corta para o rosto de Moisés. Moisés: Desculpa... Jorge (se
movimentando/gritando): Não! A tela escurece ao mesmo tempo em que se ouve um barulho
de tiro. ___________________________________________
Abre
mostrando a frente do restaurante/bar da família da Nicole. A imagem se
aproxima devagar, passando pelo vidro e chegando ao balcão. Uma mão passa
pano no local. A câmera sobe e vemos então que se trata de Nicole, ela está
com um avental. Ouve-se barulho da porta abrindo. Voz de Gabriel: Quando me disseram
que veria essa cena, juro que custei a acreditar... Corta
rapidamente para o rosto de Nicole que olha para o lado e esboça um largo
sorriso. A câmera se movimenta mostrando Gabriel parado próximo a porta, também
sorrindo. Volta
para Nicole que solta um leve grito e corre, passando pela portinha do balcão
e correndo até Gabriel, dando-lhe um forte abraço apertado. Nicole (ainda
abraçada a ele/visivelmente feliz): Eu não acredito que esteja aqui! ... (o olha)... Quando chegou? Que horas
pegou o avião? Gabriel
(sorrindo): Peguei ontem à tarde, cheguei há meia hora mais
ou menos. Nicole
(encarando-o com um sorriso, em seguida lhe dá um tapa no braço): Não me disse que
iria pegar o avião só amanhã? Por que não me contou que estava chegando hoje? Gabriel
(sorrindo): Porque queria fazer uma surpresa... E (pausa e sorri outra vez) Não perder
essa cena incrível (olhando para o
avental dela). Nicole (girando os
olhos): Apenas estou fazendo uma pequena gentileza a
mamãe que anda bastante desgastada com tudo isso... Gabriel
a olha, desconfiado. Nicole novamente gira os olhos e balança a cabeça. Nicole: Okay, o salário
não é dos piores, a gorjeta é ótima e eu adoro mandar nos que estão abaixo de
mim... Gabriel
(sorrindo): Agora eu posso te reconhecer... Nicole
(abraçando-o novamente após alguns segundos): Deus, eu senti
tanto a sua falta. Pensei que não fosse voltar mais. Gabriel
(sorrindo/ainda abraçado a ela): Eu prometi que nunca te deixaria sozinha por
muito tempo... Jamais pensei em deixar de voltar. Close
no rosto de Nicole que esboça um sorriso tímido. Gabriel: Eu temi que sua
reação fosse diferente... Nicole
(olhando-o): Como assim? Gabriel: Ta certo que a
gente se falou bastante via internet, por telefone e que nossa última
despedida foi de certa forma marcante... Acontece que devido a nosso
histórico incomum de ações desse tipo da sua parte, pensei que talvez tudo
voltasse a ser como era antes de eu partir para o exterior... Nicole: Eu disse que as
coisas seriam diferentes, aquele tempo já se foi, eu juro. Gabriel
(sorrindo): Então diz outra vez... Nicole (sorrindo):
Meu irmão... Meu
querido irmão. Eles
sorriem um para o outro novamente. Segundos depois voltam a se abraçar. Frisa
essa cena por alguns segundos. Música:
Laura Branigan - Can't Cry Hard Enough A
câmera começa devagar a se afastar, enquanto ouvimos a narração em off. Cláudio (em off): É difícil lidar com as perdas, sobretudo quando não estamos preparados.
Tal como o sofrimento, as perdas também fazem parte da vida. É um caminho
inevitável, todos terão que de uma forma ou outra, passar por esse momento.
Mas o mais difícil não é a hora da perda e sim no dia seguinte, onde
procuramos e não encontramos, e temos certeza que nunca mais teremos. A imagem de ambos começa a desaparecer,
deixando o ambiente vazio e escuro. A câmera continua se afastando até passar
pelo vidro da porta. Nela, vemos uma folha com os dizeres em negrito: “Fechado
para luto”. Frisa
essa imagem por alguns segundos, em seguida a tela escurece lentamente.
Abre
mostrando Bom Destino numa visão aérea. É dia. Continuação
- Laura Branigan - Can't Cry Hard Enough A
imagem se movimenta um pouco, logo transparecendo para dentro do quarto de
Nicole. Ela está deitada na cama, seus olhos estão abertos, vermelhos e
lacrimejando, seu cabelo despenteado. Frisa essa imagem por alguns segundos,
logo transparece para dentro de outro quarto. A
câmera se movimenta devagar até chegar a cama. Nela, vemos Felipe sentado,
ele movimenta a mão para o lado, acariciando algo. Cont- Laura Branigan - Can't Cry Hard Enough Corta
para a mão dele passando levemente no cabelo de Priscila. Após alguns
segundos, ela levanta rapidamente e corre. A imagem a acompanha, mostrando-a
entrar no banheiro e abaixando até a privada, onde começa a fazer movimentos
como se estivesse vomitando. Segundos depois ela levanta o rosto e senta
encostando-se ao Box, chorando. A
câmera devagar se afasta, até que novamente transparece. Praça
do centro da cidade. Vemos Gustavo sentado no banco, sua expressão é bastante
triste. Ele abaixa a cabeça, apoiando aos mãos em cima. Frisa essa imagem por
alguns segundos, até que novamente transparece, mostrando Gil caminhando
devagar num lugar não identificado. Cont- Laura Branigan - Can't Cry Hard Enough Corta
para seu rosto, sua imagem é bastante triste também. Ele pára e segundos
depois passa as mãos no cabelo, fechando os olhos. A
câmera se afasta, subindo até o céu. Após alguns segundos, abaixa, mostrando
a frente de um hospital. Transparece para dentro, mostrando Jorge deitado
numa cama. Seus olhos estão abertos e lacrimejando. Corta para seu braço, uma
mão o toca. A câmera sobe, mostrando se tratar de Marta. Ela o olha
tristemente. Cont- Laura Branigan - Can't Cry Hard Enough Jorge (falando
tristemente e pausadamente): Me diz que não estou indo enterrar o meu filho
hoje... Marta
não consegue responder, ela morte os lábios e seus olhos se enchem de
lágrimas. Close no rosto de Jorge que olha para o lado. Seus lábios começam a
tremer, em seguida ele desaba a chorar. Marta logo se inclina e o abraça. Jorge (chorando
amargamente): O que eu vou fazer da vida? (balança negativamente a cabeça e chora com mais intensidade). Marta não consegue segurar e também começa a chorar. A imagem se afasta devagar, até chegar à porta. O choro de Jorge se torna ainda mais intenso e alto. Segundos depois a tela escurece.
Floricultura
da Márcia. Helen está em frente ao balcão, falando ao telefone. Gustavo se
aproxima e pára ao seu lado. Ela desliga o telefone e o olha com um olhar
solidário. Música: Matthew Perryman Jones - Feels Like Letting Go Gustavo: Muitas encomendas? Helen: Este é um dia que
eu não gostaria de vender... Gustavo
fica em silêncio, pensativo por instantes. Helen com o mesmo olhar solidário,
pega na mão dele e o leva para fora, fazendo-o sentar na escadinha. Helen: É meio estúpido
perguntar isso, mas, como você está? Gustavo: Eu não sei, é
difícil acreditar no que aconteceu... Helen: Se você quiser
chorar... Gustavo
(interrompendo/levantando): Não... Eu não posso chorar, preciso ser forte
para a Nicole, ela precisa de mim neste momento... Helen: Chorar não vai
enfraquecer sua imagem perante ela, além do mais, ela não está aqui neste
momento. Gustavo: Mesmo assim... (balança negativamente a cabeça) Sabe
o que o Gabriel significava para ela? Um porto seguro, alguém com quem ela
poderia contar a todo o momento, mesmo nas épocas em que não se entregava a
aquele sentimento... Sei que jamais poderei competir com isso, mas eu preciso
que ela tenha em mim, pelo menos cinco por cento do que tinha nele... (respira fundo) Pelo menos hoje (pausa e fala tristemente) Sem
choros... Helen
(levantando): Você que sabe então... (o abraça) Mas se precisar de mim, se precisar expor tudo isso
para fora, sabe que pode contar comigo, certo? Gustavo (esboçando
um leve sorriso): Eu sei que posso... (pequena pausa) Bom, preciso ir, fiquei de passar no restaurante
para pegar algumas coisas que o Gabys deixou por lá... Helen: Quer que eu vá com
você? Gustavo: Não precisa... Eu
acho que posso fazer isso sozinho... Eles
se abraçam demoradamente. A câmera dá um close no rosto de Gustavo que fecha
os olhos. Após alguns instantes, eles desfazem o abraço e Gustavo sai. Helen
fica observando-o com um olhar triste na face. Casa
de Nicole. Marta está em seu quarto, sentada na cama, com uma expressão
bastante abatida. Cont- Matthew Perryman Jones - Feels
Like Letting Go Voz de Gabriel: Casa nova, cidade
nova, vida nova, huh? A
câmera se movimenta para a porta, juntamente com o olhar de Marta. Marta: Eu não sei se esse
recomeçar será tão fácil. Sei pai está perdido, a Nicole revoltada no quarto,
já peguei ela duas vezes fazendo as malas para ir embora... Gabriel
se aproxima, sorrindo de leve. Ele senta na cama ao lado dela. Gabriel: Mas nós vamos
superar tudo isso, com uma família deve fazer. (pausa) As coisas estão complicadas agora, nem pra mim é fácil
deixar uma vida inteira pela frente, principalmente deixa alguém esperando
por você... Mas o primeiro passo de como agir nós fizemos, que é dar apoio ao
meu pai independente do que aconteceu... Ele precisava disso. Marta: Eu sei... Só quero
ser forte o bastante para corresponder tudo o que ele precisa neste
momento... Gabriel
(sorrindo): Vai ser. Você é quem supriu todas as necessidades
dele desde que minha mãe se foi. E, devo dizer que as minhas também... Marta (sorrindo): Você é um anjo,
sabia? Se eu tivesse tido um filho homem, gostaria que fosse assim como
você... Gabriel (sorrindo
timidamente): Bom, faz tanto tempo que convivemos juntos, já
era para ter me considerado um filho realmente, assim, como eu te considero
como uma mãe... Marta: Mas eu
considero... E já que tocamos neste assunto de vida nova, casa nova, cidade
nova, que tal a partir de agora, me chamar de mãe? Gabriel
(sorrindo): Eu adoraria... (sorri novamente) Mamãe... Eles
se abraçam carinhosamente por alguns instantes. A câmera dá um close no rosto
de Marta, que sorri com os olhos fechados. Após alguns segundos, ela abre os
olhos e expressa um olhar triste. A câmera abre, mostrando que apenas ela se
encontra no quarto. Seus olhos começam a lacrimejar e escorrer. Um som
instrumental triste toma conta da cena, enquanto a câmera se afasta até a
porta, fixando a imagem de Marta por breves segundos. Casa
de Roger. Roger abre a porta do guarda-roupa, tirando uma camisa social de
dentro. A imagem gira, mostrando Lívia sentada na cama, olhando para a
televisão. A câmera da um close na tela, mostrando uma reportagem
aparentemente do caso que aconteceu no restaurante. Lívia balança negativamente
a cabeça, instantes depois desliga o televisor. Lívia: Tanta tragédia em
tão pouco tempo... Roger: O dia de hoje
parece mais como um déjà vu. Lívia (olhando-o):
Seus pais
decidiram se vão ao enterro? Roger: Eu não sei, não
falei direito com eles ainda (pausa
longa) Mas temo por minha mãe, ela já passou por tanta coisa, e voltar
aquele cemitério numa situação bastante parecida, pode de certa forma afetar
em sua recuperação... Lívia
levanta, se aproxima dele e o abraça por trás, beijando o rosto
carinhosamente seu rosto. Lívia: E quanto a você? Roger: Eu vou ficar bem,
não posso deixar de ir, ele esteve conosco naquele dia e por mais que
lembranças terríveis me venham a mente ao pisar no gramado, devo estar lá em
respeito a Nicole, sua família... Lívia: Era isso que eu
esperava ouvir... Ela
novamente beija o rosto dele, que sorri de leve e vira-se para ela, passando
a mão em seu rosto, em seguida aproximando seu rosto e beijando
carinhosamente os lábios dela, terminando com um abraço. A imagem se afasta
devagar, ao mesmo tempo em que transparece, mostrando o rosto de Vera. Ela
está sentada na cama, com uma expressão pensativa e um olhar bastante
entristecido. Vemos um movimento próximo a ela, a câmera abre, mostrando se
tratar de Artur. Artur: Você está bem? Vera: Meses atrás eu
sofri a pior perda que uma mãe poderia sentir. Uma dor incurável de perder um
filho que carreguei por nove meses no ventre, sem ter a chance de conhecê-lo (pausa longa). Fico pensando num pai
e uma mãe que perdem um filho que criaram até quase chegar a fase adulta,
principalmente da forma tão cruel como foi... (o olha) Se eu desmoronei a ponto de enlouquecer, o que será
dessa família? Artur: E se tivesse
acontecido a mesma coisa com o Roger, só Deus sabe o que seria de nós... Vera
balança de leve a cabeça, concordando. Seus olhos se enchem de lágrimas.
Artur a olha, com pesar. Artur: Não será
desrespeito se não tiver em condições de ir ao enterro do Gabriel... Vera: Precisamos ir,
conhecemos aquele menino na viagem, sua irmã esteve no mesmo carro que a
gente naquele dia... Eles estavam lá, apoiando nossa família... Artur
concorda de leve com a cabeça. Vera novamente o olha. Vera: Além do mais, essa
seria uma oportunidade de fazer algo que estou adiando há muito tempo, certo?
Artur: Certo... Mas
prometa-me uma coisa, se começar a se sentir mal, não hesite em me pedir para
ir para casa, tudo bem? Vera (esboçando um
leve sorriso): Uhum... Artur
também sorri de leve e coloca o braço em volta de Vera. Ela deita o ombro no
peito dele, enquanto ele beija sua cabeça e começa a fazer carinho no rosto
dela. A
tela escurece. Abre
mostrando Gustavo em frente a porta do Restaurante/bar. Ele fecha os olhos e
respira fundo, em seguida abre a porta e entra. Corta para dentro, ele
caminha até o balcão e senta em uma cadeira, apoiando o rosto na mão. Uma mão
com um copo de refrigerante arrasta até ele. Música:
The Honorary Title - Cats in Heat Gustavo: Poderia ser algo
que contenha um pouco de álcool... Gabriel (cortando
para seu rosto): Aí eu correria risco de levar uma multa por
servir bebida alcoolizada para um garoto com menos de doze anos (sorri). Gustavo (irônico):
Há, há e há...
Desde quando virou piadista? Gabriel: Não é questão de
ser piadista, as circunstancias me levaram a fazer uma gozação do tipo,
circunstancias essas, que formam o casal Nick e Gu... Gustavo: Nem me fale dessa
peste maligna... (olha para os lados) A
propósito, ela não está aqui, certo? Gabriel: Não, mas devo
dizer que para alguém você odeia, este lugar não é o melhor para evitar tais
encontros... Gustavo: Em primeiro lugar,
eu não a odeio, isso seria muito para ela, quando na verdade ela não merece
nenhum sentimento vindo da minha parte. Em segundo lugar, não vou me privar
de ir a certos lugares, só pelo fato de provavelmente correr o risco de
encontrar com a Nicolinha... Ainda mais no bar do meu amigão Gabys, com quem
pouco tenho conversado ultimamente... Gabriel (olhando
com desconfiança): Sei...
(sorri). Gustavo: Mas já que falamos
na capetinha, como ela está? Gabriel: Ótima, há tempos
não via a Nicole sorrindo tanto... Gustavo (subindo
as sobrancelhas): Ah... Legal para ela... (mexe os ombros) Eu também há tempos não sorrio tanto... Gabriel
o olha e balança negativamente a cabeça. Gabriel: Vocês são duas
crianças, sabia? Ao invés de declararem o que sentem realmente um pelo o
outro, ficam aí, com briguinhas bestas... O tempo passa. Gustavo: Fala isso para
ela... Eu cansei de mostrar o que sinto, o que eu recebi em troca? Farpas,
tijoladas, coices... Gabriel: Mas chegou a dizer
que a ama? Gustavo (virando
para o lado): Amar é uma palavra muito forte, principalmente se
for para dizer a alguém que provavelmente rirá da sua cara. Como diria o pai
de um amigo meu “Nunca diga a uma mulher todos os seus sentimentos, pois elas
rirão de você sempre que virem um palhaço”. Gabriel (rindo): É uma frase muito
profunda... E sem veracidade...
(pausa) Olha, eu não gosto de me meter em relacionamentos que não me diz
respeito, o que na verdade até diz, por se tratar da minha irmã. Sei que você
está magoado e que é completamente compreensível que esteja com raiva dela
nesse instante. Mas acontece que a Nicole é desse jeito, ela demora a se
entregar, mas a partir do momento em que passa a confiar plenamente numa
pessoa, pode ter certeza, não há limites para expressar o seu sentimento... Gustavo: Lindas palavras,
mas isso não se aplica a mim, ainda mais por ter dado mais do que suficientes
provas que posso ser confiável a ela. E a propósito, como pode ter certeza de
tudo que diz? Gabriel
(sorrindo): Porque eu sou prova viva de tudo isso, esqueceu o
quanto ela me maltratava? E se ela fazia isso, no fundo sabia que me amava,
assim como vejo em você. Close
no rosto de Gustavo que se mostra pensativo. Gabriel novamente sorri e se
movimenta. Gabriel: Pense nisso... E
não deixe de convidá-la para a festa de final do ano no colégio, seria a
oportunidade perfeita de vocês se acertarem de vez... Gabriel
sai. A câmera se aproxima do rosto de Gustavo, que continua com uma expressão
pensativa. Quando a imagem se afasta, o ambiente se mostra escuro, apenas com
Gustavo sentado na mesma cadeira. Ele morde os lábios, se segurando para não
chorar. Devagar, levanta e se movimenta em direção a cozinha. Cláudio
está em frente a uma porta. Ele toca a campainha, após alguns segundos, a
porta abre e Felipe aparece. Felipe: Hey, obrigado por
vir, seus pais estão viajando e temo que tente fazer alguma besteira ficando
sozinha... Cláudio: Como ela está? Felipe (sentido): Chora muito,
vomita, pouco fala, e quando fala, se culpa por tudo... Cláudio (após
alguns segundos): Pode ir para casa um pouco, eu fico com ela
durante algumas horas. Felipe (concordando
com a cabeça): Okay... Eu vou tomar um banho, comer alguma
coisa, mais tarde eu volto para levá-la ao velório. Cláudio
apenas concorda com a cabeça. Felipe toca sem ombro, em seguida sai. Corta
para dentro de um quarto. Cláudio aparece entrando devagar. A câmera se
movimenta, mostrando Priscila deitada na cama, virada para o outro lado.
Cláudio a olha com bastante pesar, instantes depois se desloca até a cama,
sentando na mesma. Música:
Ross Copperman - Theyll Never Know Cláudio (passando
a mão no cabelo dela/sentido): Hey pequenina... Priscila
vira para ele, seus olhos estão vermelhos, inchados e lacrimejosos. Pri (com voz
embargada): É minha culpa, Cláudio... (balança negativamente a cabeça) Se eu não tivesse deixado para
resolver as coisas com o Felipe em pleno baile, se eu não tivesse magoado o
Gaby... (começa a chorar) Ele
ainda estaria aqui... Ele não teria saído mais cedo e eu, teria tido a chance
de dizer que o amo (chora ainda mais).
Cláudio
continua a olhar tristemente, sem saber o que dizer. Pri: Sabe, eu não
preciso que venham me dizer que não foi minha culpa, que a vida é assim e o
que quer que seja, pois ninguém sabe o que está acontecendo dentro de mim... (pausa) Eu não preciso que venham
tentar me consolar, pois nada que digam, irá tirar a dor que estou sentido...
Eu preciso que o tempo volte (treme os
lábios) e que ele soubesse que eu faria tudo para estar ao seu lado, que
eu não o tiro da cabeça muito antes dele voltar, mesmo quando ainda namorava
o Felipe... (volta a chorar) Eu
preciso que o tempo volte, pois sei que irei lamentar a vida inteira por ter
sido tão burra a ponto de não me entregar
(soluça) Ao meu melhor amigo, ao único capaz de me fazer sentir a melhor
pessoa deste mundo... (chora ainda
mais) E que nunca mais irei ver, tocar, sentir... Cláudio
(solidário): Eu sei...
(passa a mão no rosto dela)... Ouça, eu não vou dizer nenhuma dessas
palavras clássicas de consolo, pois realmente ninguém sabe de fato como você está
por dentro. Este ano mesmo eu tive duas experiências terríveis de perda e
quase perda, uma com o irmãzinho do Roger, outra com seu acidente. Ano passado sofri com medo de perder minha
mãe e Deus sabe que se aquilo tivesse se concretizado, como eu estaria hoje.
E se não fosse a força que todos meus amigos me deram, talvez eu não
estivesse sentado aqui ao seu lado, tentando fazer a mesma coisa que um dia
você fez por mim. Close
no rosto de Priscila que pára de chorar por um instante, mas ainda soluçando.
Cláudio: Então se você
quiser sofrer, sofra, se quiser chorar, chore, se quiser arrumar um jeito de
amenizar a dor se culpando pelo que aconteceu, não seria o certo, mas
momentaneamente pode se culpar. Só não queira carregar esse fardo enorme
sozinha, há pessoas que estão contigo, sofrendo de proporções iguais a sua,
como o Jorge, a Nicole, principalmente ela que demorou muito tempo para
aceitar o Gabriel como irmão. E mesmo que eu não tenha chegado a ter uma
amizade solida com ele, eu sinto muitíssimo sua perda, pois sei que era uma
pessoa especial, de bom coração e jamais entenderemos o porquê a vida é tão
injusta com essas pessoas. Ele
segura na mão dela. As lágrimas voltam a escorrer dos olhos de Priscila. Cláudio: O que eu estou
querendo dizer pequenina, que estamos todos com você, eu estou com você,
embora ultimamente não tenhamos tido tanto contato como antes, quero que
saiba que se precisar de mim, para qualquer coisa, chorar, desabafar, o que
for, tem um amigo aqui que estará de braços abertos para poder te dar um
aperto, mesmo que não surjam palavras certas para serem ditas na hora, um
abraço pode e muito fazer a diferença que o momento necessite... A
câmera dá um close no rosto dele, focando o rosto de Priscila em seguida. O
som toma conta da cena por alguns instantes. Os olhos de Priscila continuam
cheios de lágrimas. Pri: Então, já pode
começar com esse abraço prometido, pois só Deus sabe o quanto em
pedaços... Cláudio
acena de leve com a cabeça, em seguida se inclina, dando-lhe um forte abraço.
Priscila desaba a chorar. Cláudio com uma expressão triste e de pesar, passa
a mão no cabelo dela, fechando os olhos em seguida. A câmera começa
lentamente a se distanciar. Transparece,
mostrando o céu ensolarado, em seguida a imagem desce, mostrando o carro de
Felipe. Corta para dentro. Vemos
apenas a imagem de Felipe dirigindo, sua aparência é bastante abatida. O
carro pára. Ele fica pensativo por alguns instantes, em seguida olha para o
lado. Felipe: Está entregue. A câmera
se movimenta, mostrando Gabriel no banco do passageiro. Gabriel
(sorrindo): Obrigado pela carona (abre a porta e se movimenta para sair). Felipe: Gabriel... Gabriel
pára. Felipe: Só
queria dizer que foi muito legal o que fez pela Nicole, praticamente me
obrigando a ir buscá-la. A perseverança que você
tem em relação a vocês dois é
admirável, mesmo sabendo que amanhã ela já pode
voltar a te tratar como sempre o tratou... Gabriel (subindo
as sobrancelhas): Você tem razão e de fato não espero que ela venha
a me tratar como irmão após essa operação resgate que fizemos, sei que isso é
algo que se um dia ocorrer, será a longo prazo... (abaixa o olhar e volta a olhá-lo) Mas sinceramente, não irei me
importar se não acontecer... Felipe: Por quê? Gabriel
(sorrindo): Porque eu a amo incondicionalmente... Felipe (abaixando
o olhar): E eu desisti dela por muito menos... Gabriel: Mas não se sinta
culpado, talvez se meu sentimento por ela fosse diferente de irmandade,
também teria desistido, eu persevero porque conheço aquela garota melhor do
que qualquer pessoa deste mundo e sei o quanto ela necessita que demonstrem
que se importam com ela... Felipe (sorrindo):
Você tem um bom
coração, Gabriel. Continue acreditando no melhor das pessoas... Gabriel (sorrindo):
Obrigado... E
quanto a você e ela, dêem tempo ao tempo, agora que puderam conversar
direitinho e colocar todos os pingos nos is, torço para que fiquem juntos,
gosto de você, Felipe. Felipe
acena com a cabeça, sorrindo. Gabriel sorri novamente, em seguida volta a
abrir a porta e sair. A câmera dá um close no rosto de Felipe que olha na
direção de Gabriel, ainda sorrindo. A imagem se desloca, mostrando uma garota
parada na calçada, olhando para ele com estranheza. Garota: Você está bem? Felipe (desfazendo
lentamente o sorriso e voltando a expressão triste do começo da cena): Não (pausa) Não estou... Ele
vira para frente, e faz movimento com o braço como se tivesse mexendo na
marcha do veiculo. A câmera corta para uma visão aérea da rua. O carro começa
a se movimentar. Centro
da cidade, praça. Gil está sentado no banco, inclinado com os cotovelos
apoiados nas coxas e as mãos em frente a boca, tampando-as. Natália aparece,
se aproximando e sentando ao seu lado. Ele a olha, tira as mãos da boca e
expressa um sorriso bem leve, voltando a olhar para frente em seguida. Ela
fica olhando-o com bastante pesar por alguns instantes, depois segura na mão
dele. Música:
Train - I'm About to Come Alive Natália: Você quer
desabafar? Gil: Eu não sei... (passa as mãos no cabelo, em seguida a
olha) Faz dois dias que não consigo dormir pensando no que aconteceu... Natália: Eu sei o quanto
deve ser difícil para você que trabalhou com o Gabriel, conviveu com sua
família... Gil (balançando
negativamente a cabeça): Não é só isso... (a olha) Eu me sinto muito culpado pelo que aconteceu e
sinceramente, não tenho certeza que não tenha sido realmente minha culpa... Natália: Por quê? Todos
sabem o motivo do Moisés ter feito o que fez... Gil: Exato, mas poucos
sabem o que aconteceu nas últimas horas antes dele surtar daquele jeito... Natália (após
alguns instantes): O que você está querendo dizer? Gil (mordendo os
lábios): Poucas horas antes de fazer o Jorge como refém,
eu o encurralei no restaurante, ameacei partir ele no meio caso fizesse algum
mau a aquela família... (pausa longa) Eu
posso ter provado a ira dele, quem sabe que por um instante, ele não tenha
pensado em desistir de tudo, mas o que fiz, tenha acendido a chama que
precisa para tomar coragem para fazer o que veio ser feito poucas horas
depois? Natália
(solidária/passando a mão no rosto dele): Hey, não, não pense assim... Segundo os jornais,
era aniversário de três anos da morte do irmão, o que quer que pudessem ter
feito, ameaçado ou beijado ele no rosto, não mudaria o plano que há tempos já
estava arquitetado... Gil
volta a olhar para frente, segurando-se para não chorar. Natália o beija no
rosto. Natália: Você não teve culpa de nada... Gil a
olha com um olhar bastante triste e esboça de leve um sorriso. Natália o olha
por alguns instantes, em seguida se inclina, beijando-o carinhosamente nos
lábios. Eles fecham os olhos e permanecem nessa posição por breves segundos,
depois eles afastam seus rostos e Gil a olha com surpresa. Gil: Por que fez isso? Natália: Por que nós
estamos diferentes, Gil... (olha para
baixo/ em seguida para ele) E eu acho que estou me apaixonando por
você... O
som aumenta, tomando conta da cena. A câmera dá um close no rosto de Gil, em
seguida no de Natália, depois se posiciona de frente, mostrando um olhando
para o outro. Gil passa a mão no rosto dela, que fecha os olhos, em seguida
se aproxima e a beija também carinhosamente nos lábios, logo, o beijo se
torna mais intenso. A câmera se afasta lentamente, ainda focando essa imagem.
Após determinado ponto, a tela escurece. Abre
mostrando a parte interna da casa de Nicole. Close na porta que está fechada.
Ela abre e Jorge e Marta entram. Eles andam devagar, Jorge com uma aparência
bastante abatida é carregado por Marta, que tem o braço dele apoiado a seu
ombro. Eles caminham até a sala, Marta o coloca no sofá, em seguida se abaixa
e beija seu rosto. Música
Instrumental Lenta. Marta: Eu vou ver como a
Nicole está, logo desço para ficar com você, okay? Jorge
não responde, fixando o olhar distante, para frente. Marta fecha os olhos,
levanta e sai. Close no rosto de Jorge por alguns instantes, em seguida uma
mão toca seu ombro, ele olha para trás e sorri levemente. A imagem abre,
mostrando se tratar de Gabriel. Ele dá a volta no sofá e senta ao lado dele. Gabriel: Como você está se
sentindo? Jorge (balançando
negativamente a cabeça/abatido): Péssimo, meu filho, destruído, sem forças... (olhando para baixo) Eu não consegui
ir ao enterro do garoto, muito menos me desculpar com sua família... Gabriel: Mas você fez
certo, acredito que não seria bom para eles que você aparecesse... É preciso
dar um tempo, o luto, a dor que essa família está sentindo, não será superado
com facilidade... Jorge
coloca a mão no rosto e começa a chorar. Gabriel o olha com bastante pesar. Jorge (chorando): Tantos anos de
experiência não serviram para nada... Eu nunca vou me perdoar pelo que fiz...
(pausa) Eu sou um desgraçado... Gabriel: Não, você é meu
pai... Cometeu um erro que talvez carregue pelo resto da vida, mas nada disso
irá tirar a imagem que tenho de você, do herói que por muitos anos foi e
continua sendo na minha vida... Jorge
engole o choro, limpando as lágrimas com as mãos. Gabriel: Olha para mim... (Jorge o olha) Eu o amo e sempre o
amarei e não importa a decisão que venha tomar, quero que saiba que estarei
contigo, aonde quer que você vá... Jorge
(emocionado): Obrigado meu filho... (treme os lábios)... Eu não sei o que faria sem seu apoio... Gabriel
esboça um sorriso leve, em seguida o abraça. A imagem abre, mostrando ambos
abraçados por alguns instantes. Depois, corta apenas para o rosto de Jorge,
que desfaz o abraço e encosta a cabeça no sofá. Ele começa a chorar amargamente.
Novamente a imagem abre e dessa vez, vemos que apenas ele está no ambiente.
Um som instrumental toma conta da cena, frisando esse momento por alguns
instantes. Lanchonete
do centro. Amanda está sentada sozinha à mesa do lado externo do estabelecimento.
Uma mão coloca um copo aparentemente de suco na frente dela. A imagem sobe
mostrando se tratar de Davi. Ele senta. Amanda sorri. Música: Stellar Kart - Hold On Davi: Parece que toda
vez que a gente se reencontra, uma tragédia acontece com algum habitante
daqui. Amanda: Talvez seja a hora
da gente parar de se reencontrar e passar a ficarmos juntos o tempo todo... Davi
esboça um leve sorriso sem graça. Amanda passa a mão no braço dele. Amanda: Eu disse sério...
Estou cansada daqui, cansada deste lugar. Ultimamente é apenas isso que a
gente vê, há tempos não temos um momento literal de alegria, a maior parte do
tempo é choro atrás de choro (balança
negativamente a cabeça) Eu não quero mais isso pra mim... Davi: Concordo, mas é
impossível evitar uma tragédia... Amanda: Mas é possível
respirar um novo ar... (pausa longa) Ouça,
eu e a Larissa estamos saindo de Bom Destino, ela irá voltar para a capital,
enquanto eu morarei com ela durante um tempo. Como você não tem lugar fixo,
por que não faz o mesmo? Já pensou em expandir sua clientela por lá? Podemos
até morar juntos depois de fixados... Davi: Você não acha que
é um passo muito grande eu me mudar justamente por você ter feito o mesmo?
Ainda mais para morarmos juntos? Amanda: Corrija-me se
estiver enganada, mas não foi justamente isso que fez ao vir para Bom
Destino? Davi: Exato, mas os
motivos eram outros... Amanda: Por quê? Não gosta
mais de mim? Close
no rosto de Davi que abre a boca para falar, mas pára. Amanda o olha por
alguns instantes, em seguida balança negativamente a cabeça. Amanda: Esquece o que eu
disse... Davi
(sentido/falando após alguns segundos/colocando a mão em cima da dela): Hey, eu gosto de
você. Mas eu preciso de um tempo para me reacostumar com tudo isso... Amanda: Eu sei que dei
motivos para essa insegurança, que tem medo que eu volte a fazer o que fiz
com você... Mas tente entender o motivo de eu ter agido daquela forma, se
fosse em outras circunstancias, eu nunca o teria mandado embora da minha
vida... Davi
a olha por alguns instantes, sem saber o que dizer. Amanda aperta a mão dele
que estava em cima da dela. Amanda: Todos esses
acontecimentos terríveis só mostraram uma coisa... Que não devemos esperar
pelo amanhã. Que não devemos deixar uma oportunidade passar... (balança negativamente a cabeça) Eu
não quero passar o resto da vida lamentando... A
câmera se aproxima do rosto de Davi que se mostra bastante reflexivo. Amanda
leva a mão dele a boca, beijando-a. Corta para uma visão aérea do centro da
cidade. Nota-se que o sol está prestes a se por. Parte
interna do quarto de Nicole. Close na porta que está fechada. A mesma se abre
devagar, mostrando Marta do outro lado. Ela olha para frente, numa expressão
de abatimento. A câmera se desloca, mostrando Nicole deitada na cama, com o
rosto virado do lado oposto ao de Marta. Marta se aproxima lentamente,
colocando a mão no braço da filha. Nicole não responde. Marta senta na cama. Música:
The Fray - Never Say Never Marta: Nick, filha, está
na hora... Nicole (com o
rosto virado): Na hora de que? Marta
não consegue responder, apenas olha com bastante dor para a filha. Nicole: Eu não vou sair
daqui... Marta: Nick... Nicole
(interrompendo/cortando para o seu rosto): Eu não vou sair daqui para enterrar o meu
irmão... (pausa longa) Eu nunca
mais vou tirar os pés desse quarto, eu nunca mais quero passar pelo corredor,
perto do quarto dele e saber que não verei mais a única pessoa que me
entendia (engole o choro) Que
mesmo sem eu dizer uma palavra, já sabia como eu me sentia... (close no rosto dela que fecha os olhos,
derramando em lágrimas) Que foi tão paciente comigo e nem pode desfrutar
de todo carinho que merecia receber de mim... Marta
permanece em silêncio, colocando a mão na boca, segurando-se para não chorar.
Nicole: Não me obrigue a
sair daqui... (pausa) Nem que você
queira me arrastar... Marta (com os
olhos lacrimejando): Não meu amor, você não precisa sair daqui... (instantes depois abaixa e beija o rosto
da filha) Eu amo você. Marta
ainda a encara por breves segundos, depois levanta e caminha até a porta,
saindo. O som aumenta, tomando conta da cena. A imagem se movimenta devagar,
até focar o rosto de Nicole, que começa a chorar. Frisa essa cena por alguns
instantes. A cena muda para um ângulo aéreo do quarto e segundos depois a
tela escurece. Abre
mostrando a frente de uma capela. Várias pessoas se dirigem para a entrada do
local. É possível ver de fora alguns ancoras e alguns repórteres também.
Transparece para dentro da capela. Cont-
The Fray - Never Say Never As
pessoas estão sentadas nos bancos, no púlpito é possível ver o caixão rodeado
de flores, aberto, mas não enxergamos claramente a imagem de Gabriel dentro.
Um homem de terno preto e uma bíblia na mão recita algumas palavras que
também não são possíveis de ouvir devido a música que toma conta da cena. A câmera
passeia, mostrando as pessoas do local. Sentados na frente estão Jorge e
Marta. Jorge com uma aparência bastante perdida e abatida, se mostra longe,
não prestando atenção no que é dito no palco. Na
fileira de trás vemos Vera, Artur, Lívia e Roger sentados. A câmera dá um
close no rosto de Vera que olha para o caixão bastante abatida e pensativa.
Seus olhos estão cheios de lágrimas. Artur a olha com a mesma expressão, em
seguida leva a mão dela a boca e beija. Parte
externa. Gustavo está parado entre um degrau e outro, olhando para o celular,
fixando uma expressão pensativa. Cláudio aparece atrás dele, se posicionando
ao lado. Eles se olham por alguns instantes. Cont-
The Fray - Never Say Never Cláudio: Hey... Gustavo: Hey... Está muito
cheio lá dentro, não é mesmo? Preferi ficar aqui fora um pouco, para poder
respirar ou (pausa) ver se a Nicole vai aparecer de repente, afinal, era
irmão dela, certo? Cláudio: As vezes a última
imagem que queria ter do Gabriel, não é essa que estamos vendo agora... Breve
silêncio por alguns instantes. Gustavo: Quando ocorreu
aquele incidente com o irmãozinho do Roger na metade do ano, como você lidava
com isso quando estavam só vocês juntos? O que dizia a ele? Cláudio: Um monte de
palavras que ele não gostaria de ouvir. As pessoas quando estão passando por
momentos de dores como essa, não querem ouvir coisas como “Deus sabe o que
faz” ou “Você precisa ser forte” e tudo mais. Elas querem se revoltar, passar
por esse estágio da perda do modo que achar que pode por um instante sentir
conforto culpando a si, outras pessoas, o que for... Gustavo
(pensativo): Então o que devo fazer para ajudar a Nicole neste
momento? Cláudio: Sinceramente, não
há muito que possamos fazer, cada um lida com a dor de uma forma individual,
talvez a melhor coisa seja deixar que ela chore cada vez que precisar chorar,
grite cada vez que achar que deve gritar, mas o principal de tudo, que ela
saiba que tem um braço estendido para ela, cada vez que sentir necessidade de
receber um abraço... Close
no rosto de Gustavo que olha para baixo, reflexivo. Cláudio toca o ombro
dele, em seguida se dirige para dentro, mas antes, pára e volta a olhá-lo. Cláudio: E pode chorar
junto com ela também... Gustavo
levanta a cabeça, olhando-o. Cláudio: Não é passar sinal
de fraqueza para a outra pessoa, mostrar que está sentindo muito a perda de
um amigo... Gustavo
balança de leve com a cabeça concordando. Cláudio acena, em seguida entra.
Gustavo olha para frente e morde os lábios. Música: Building 429 - No One Else Knows A
imagem começa a transparecer devagar, mostrando o céu já escuro. Desce na
frente da capela, em seguida transparece para dentro. A
câmera passeia pelos bancos que estão cheios, cortando para alguns takes que
também transparece a cada transição. - O
senhor no púlpito ao lado do caixão continua com a bíblia, mexendo os lábios.
-
Vemos na fileira do meio Cláudio e Helen sentados juntos, Helen está com a
cabeça deitada no ombro de Cláudio, ambos com expressões tristes nos olhares.
-
Vera e Artur na mesma cadeira, dessa vez ambos estão com os olhos
lacrimejando. -
Gustavo está em pé, encostado na parede. Momentos ele olha na direção do
caixão, momentos para o lado de fora. -
Jorge está inclinado de cabeça baixa. Marta está ao seu lado, com uma das
mãos nas costas dele e outra levando um lenço ao rosto. - Em
outro banco, vemos Gil e Natália. Os olhos de Gil também lacrimejam. A câmera
desce devagar, mostrando a mão de Natália segurando na dele. - Em
outro banco, vemos Amanda e Davi sentados juntos, ao lado de Amanda está
Larissa. Davi olha na direção de Larissa, que retribui o olhar, mas logo,
devia, olhando para frente. Corta para o braço de Amanda enganchando no braço
dele. -
Volta para o Senhor de terno. Senhor:
O púlpito está livre para alguém que queria expressar algumas palavras, seus
sentimentos... O
senhor olha fixamente para frente. As pessoas no banco começam a olhar para
trás. Close em Gustavo que franze a testa, enquanto sua cabeça se movimenta como
se estivesse acompanhando alguém. A câmera corta para Nicole no corredor,
caminhando para perto do caixão. Ela está séria e com o rosto seco. Conforme
ela se aproxima do caixão, a imagem é cortada para o ponto de vista da
personagem. Vemos então Gabriel dentro do caixão, vestindo um terno preto e
com flores em sua volta. Volta para
Nicole que está parada em frente ao caixão, olhando para o irmão. O som
cessa, dando lugar apenas para um instrumental. Nicole (falando
baixo): Acorda...
(falando um pouco mais alto) Acorda... (mais alto ainda)... Levanta daí, agora! (se aproxima com violência/falando alto e com desespero) Você
prometeu que nunca me deixaria sozinha, que sempre estaria comigo! (grita) Você não pode fazer isso
comigo! Não tem esse direito de me deixar! (mexe no corpo/ chorando) Eu te proíbo de ir embora! Música: Robbie Seay Band - Shine Your Light On Us Corta
rapidamente para Priscila que começa a chorar, o mesmo acontece com Jorge. Gustavo
logo se aproxima de Nicole que continua desesperada em frente ao corpo. Ele a
abraça e ao mesmo tempo a carrega para o lado de fora, cortando para eles
passando o portão e parando na escadinha. Nicole (chorando):
Ele prometeu... (começa a abaixar devagar até sentar na
escada) Eu estou perdida, completamente destruída... Gustavo
segurando-se para não chorar, senta ao lado dela. Sem também saber o que
dizer, coloca o braço em volta dela, abraçando-a. Nicole deita a cabeça no
peito dele, chorando com mais amargura. Gustavo com uma expressão de dor,
passa a mão no cabelo dela. Gustavo (com dor):
Chora minha
linda... (engole o choro)... Chora
bastante... A
imagem começa a se distanciar e subir ao céu que clareia, em seguida desce
mostrando várias pessoas em volta a um túmulo aberto. Corta
para o caixão descendo em câmera lenta, enquanto a câmera passeia mostrando
cada um dos personagens que estavam no velório, com exceção de Nicole e
Gustavo. Cláudio (em off): A perda que nos causa mais dor é quando alguém que nós amamos morre. É
uma dor irreparável, pois ninguém pode substituir o outro, um amigo não
substitui outro amigo, nada no mundo substitui os pai ou um filho, irmão. Nem
o tempo apaga essa dor. Fecha
em Marta e Jorge, que abraçados, choram com intensidade. Novamente
a imagem transparece, dessa vez mostrando um túmulo já fechado. Nela é
possível ver rapidamente o nome de Cayro na lapide. A câmera abre, mostrando
Vera, Artur, Roger e Lívia parados em frente ao mesmo. Frisa a imagem deles
por alguns instantes, segundos depois, transparece novamente, mostrando o
céu, que dessa vez está escuro. Corta
para uma porta que abre, mostrando Larissa do lado de dentro. Cont- Robbie Seay Band - Shine Your Light On Us Larissa: A Amanda não está...
A
câmera se movimenta, mostrando Davi do lado de fora. Davi: Eu sei, ela está
indo me encontrar em casa nesse exato momento... Larissa (sem
entender): Então? Davi (se
aproximando): Eu não quero esperar pelo amanhã... Ele
a beija. Larissa retribui um pouco, mas logo o afasta. Larissa: O que você está
fazendo? Se Amanda ou alguém aparece e... Davi
(interrompendo): Então ela ou qualquer pessoa vai saber que a
gente se ama (pausa) Bom, pelo
menos eu te amo, mas sinto que sente o mesmo... Larissa
(balançando negativamente a cabeça): Davi, vá embora... Davi: Vamos ficar
juntos, Larissa. A Amanda vai entender que não se pode mandar no coração... Larissa
o olha sem responder. Davi coloca a mão no rosto dela. Cláudio (em off): Por isso é importante demonstrar o seu amor, transformar em gestos e
palavras tudo aquilo que está no seu coração, porque amanhã pode ser tarde
demais, e a dor da perda pode ser maior ainda. Davi: Eu também não
quero passar o resto da vida lamentando... O som
toma conta da cena. Larissa abaixa o olhar, Davi novamente passa a mão no
rosto dela, dessa vez levantando seu rosto que o olha com intensidade. Seus
lábios se aproximam e ambos começam a se beijar. A câmera se posicional
lateralmente ao mesmo tempo em que se afasta para fora. Logo, a porta é
fechada. Corta
para outra porta que abre. Do lado de fora, vemos Gustavo parado, olhando
para baixo. Quando ele olha para frente, seus olhos estão cheios de lágrimas.
Cont- Robbie Seay Band - Shine Your Light On Us Gustavo: Você disse que se
eu quisesse chorar, poderia procurar o seu ombro para fazê-lo... A
câmera muda para Helen olhando-o com pesar. Ela se aproxima dele e o abraça.
Gustavo começa a chorar. Frisa essa imagem por alguns instantes. Cláudio (em off): Nestes momentos devemos buscar forças para suportar a dor da perda, por
mais profunda e dolorida que seja não podemos ter vergonha de pedir ajuda e
consolo para amigos, sem ter vergonha de chorar, pois, chorar é uma maneira
natural de aliviar a tensão interna, permitindo que seja comunicada a
necessidade de ser confortado. Close
no rosto de Helen que fecha os olhos, expressão dor. Close em Gustavo que
chora amargamente. Corta para um ângulo aéreo da cena, permanecendo assim por
alguns segundos. Visão
aérea da casa de Nicole. A imagem se aproxima da janela, transparecendo para
dentro, corredor. Cont- Robbie Seay Band - Shine Your Light On Us Cláudio (em off): E a dor é ainda maior quando temos a sensação de que deveríamos ter
demonstrado mais amor, ter aceitado mais, perdoado mais... Nicole
caminha devagar pelo corredor, parando em determinado ponto. Ela olha para o
lado, onde é possível ver uma porta fechada, segundos depois, ela caminha até
a porta, abrindo-a devagar. Corta
para a parte interna, nota-se que se trata do quarto de Gabriel. O ambiente
está escuro, apenas iluminado pelas luzes que de fora. Nicole entra, parando
no meio. Sua expressão é de dor. Cláudio (em off): Pois vive melhor a dor da perda quem sabe que fez
a sua parte (pausa) Ainda vai
doer, mas de uma maneira bem diferente... Ela
olha para frente, fixando-se em algum ponto. A câmera muda, mostrando uma
mesa onde está o computador. Nela vemos um caderno de capa grossa, mais
parecido com um livro. Nicole se aproxima da mesa, parando próximo a ela e
devagar, pega o caderno. Lado
externo da casa. Jorge está sentado num banco da varanda. O ambiente também é
escuro. A câmera da um close em seu rosto, mostrando ele com um celular no
ouvido. Cont- Robbie Seay Band - Shine Your Light On Us Jorge: Não, você me deve
isso, Silas (pausa)... Eu não
quero saber, burla o que tiver que burlar, mas me arruma um meio de ficar
frente a frente com esse rapaz (pausa)...
Não interessa o que eu vou fazer... Ele
fecha o celular e fica pensativo por alguns segundos. Depois, levanta a mão,
mostrando um canivete vermelho fechado. Em seguida, abre, olhando fixamente
para a lamina. A imagem transparece novamente para o quarto de Gabriel. Nicole
está sentada na cama, lendo o que está escrito no caderno que está aberto em
seu colo. A
câmera dá um close no caderno, mostrando frases escritas a mão. Uma lágrima
cai em cima, em seguida o caderno é fechado. Close no rosto de Nicole, de
seus olhos escorrem lágrimas. A câmera se afasta devagar, enquanto a vemos
deitar lentamente na cama, aos prantos.
A
tela transparece para uma visão aérea do centro da cidade, em seguida corta
para Priscila caminhando na praça. Música: Placebo - Running Up That Hill Ela
avista algo na frente e sorri. A câmera muda, mostrando Gabriel em frente ao
carrinho de pipocas. Quando o senhor vai lhe entregar o saquinho, a mão de
Priscila intercepta, pegando para ela. Pri (sorrindo): Do jeito que eu
gosto. Gabriel (para o
senhor): Mais um, por favor... Pri: Estamos ficando
especialistas em nos encontrarmos aqui na praça... (come uma pipoca e fica pensativa)... Você anda me perseguindo? Gabriel
(sorrindo): Realmente, levando-se em conta que eu sempre
chego primeiro e sempre tenho meus saquinhos roubados, concretiza essa sua
teoria de que eu estou te perseguindo... Pri: Okay, eu confesso,
eu é que estou te perseguindo e quer saber o por quê? Gabriel (subindo
as sobrancelhas): Você me ama de uma forma tão excessiva que não
consegue ficar longe de mim? Pri
(irônica/sorrindo): Eu sempre soube que você logo descobriria esse
meu segredo... Eles
começam a caminhar. Gabriel: Você não devia
dizer esse tipo de coisa para alguém que realmente sente isso tudo por
você... Pri: Oh claro, sente
tanta vontade de estar perto de mim que foi passar férias no exterior e não
me deu um telefonema sequer... Gabriel: Mas que todos os
dias pensou em você e chegou a escrever um livro sobre o que sente... Pri: Livro esse que eu
nunca li... Gabriel
(sorrindo): E nem vai ler... Pri (parando): Por que, se é
direcionado a minha pessoa? Gabriel
(sorrindo): Porque eu não sou tão masoquista a esse ponto... Priscila
gira os olhos. Eles voltam a caminhar. Pri: Caso eu tenha
deixado passar... (pausa) É bom
ter nossa amizade de volta...
(olhando-o) Eu senti bastante sua falta... Gabriel
(sorrindo/olhando para ela): Eu também te amo... Ela o
olha e também expressa um sorriso. Corta para um ângulo aéreo da praça. Os
vemos caminhando pelas costas. O som toma conta da cena. Lentamente a imagem
de ambos começa a desaparecer, deixando a praça deserta. Cláudio (em off): Mas a verdade é que não existem palavras que
possam expressar a dor da perda. Ela é tão profundamente dolorida que chega a
doer no corpo e na alma. Tudo ao
redor perde o sentido. Esquecemos de tudo, menos da dor que rasga, dói e
arranha o coração, de pessoas que passam por nossas vidas e vão embora, mas
nunca mais esquecemos. Segundo
depois, a câmera sobe até o céu estrelado, fixando nele por alguns instantes. A tela escurece. Créditos Finais: Criado e Escrito por: Thiago Monteiro Participações
Especiais: Aaron
Eckhart – Jorge Terre J.
Vaugh – Marta Daniel
Clarck – Gil Lacey
Chanbert - Natália Jesse
Maccartney – Davi Música
Tema: Switchfoot
- Meant To Live Trilha
Sonora: Laura Branigan -
Can't Cry Hard Enough Matthew Perryman
Jones - Feels Like Letting Go The Honorary Title
- Cats in Heat Ross Copperman -
Theyll Never Know Train - I'm About
to Come Alive Stellar Kart - Hold On The Fray - Never
Say Never Building 429 - No One Else Knows Robbie Seay Band -
Shine Your Light On Us Placebo - Running
Up That Hill |
